
Vila Bela da Santíssima Trindade vive um momento histórico em sua infraestrutura rodoviária. Enquanto duas empresas trabalham simultaneamente na terraplenagem da MT-199, preparando o trecho para receber a pavimentação asfáltica em direção à fronteira com a Bolívia, a Associação dos Produtores do Palmarito desempenha papel fundamental na manutenção das rodovias estaduais não pavimentadas da região.
Segundo o presidente da associação, o advogado e produtor rural Roberto Jonas de Macedo, a entidade surgiu há alguns anos por iniciativa de cerca de 15 produtores rurais preocupados com as dificuldades enfrentadas durante o período chuvoso e com a necessidade de garantir melhores condições de tráfego em uma das regiões mais extensas de Mato Grosso.
Na época, não havia qualquer previsão concreta de asfaltamento da MT-199. Com o passar dos anos, a mobilização dos produtores ganhou força e recebeu o apoio do deputado estadual Valmir Moreto, que intermediou as tratativas junto ao Governo do Estado para a elaboração do projeto de pavimentação e o fortalecimento da associação.

O resultado desse trabalho começou a se materializar com a execução das obras de asfaltamento entre Vila Bela e Palmarito. Atualmente, duas frentes de trabalho atuam no trecho considerado estratégico para a integração regional e para o avanço da futura Rota Bioceânica.

Com o início das obras, parte da responsabilidade anteriormente atribuída à associação foi transferida para as empreiteiras contratadas pelo Estado. Dessa forma, a entidade passou a concentrar seus esforços na manutenção de trechos da MT-199 ainda não pavimentados e da MT-265, incluindo acessos à região da Serra Ricardo Franco, Santa Clara e Ponta do Aterro.

De acordo com Roberto Jonas de Macedo, o projeto inicial previa a manutenção de aproximadamente 245 quilômetros de rodovias estaduais, com investimentos estimados em R$ 15 milhões. Após adequações no projeto e redefinições de responsabilidades, a extensão caiu para cerca de 200 quilômetros e o orçamento foi reduzido para R$ 10 milhões.
Ainda segundo o presidente, em fevereiro deste ano o Governo de Mato Grosso, por meio do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (FETHAB), repassou R$ 2 milhões para a associação, recursos destinados à execução dos serviços de manutenção e melhorias nas rodovias sob sua responsabilidade.

A associação também conquistou importantes equipamentos para suas operações. Com articulação junto ao deputado Valmir Moreto e ao Governo do Estado, foram obtidas duas motoniveladoras, duas escavadeiras hidráulicas e uma pá carregadeira. Já com recursos próprios dos associados foram adquiridos um caminhão melosa e uma carreta prancha para o transporte das máquinas.
Apesar dos avanços, Roberto destaca que ainda existe a necessidade de ampliar a estrutura operacional com a aquisição de dois caminhões caçamba e um caminhão-pipa, equipamentos considerados essenciais para aumentar a eficiência dos trabalhos de manutenção.

Enquanto as empreiteiras avançam na construção da futura ligação asfaltada rumo à Bolívia, a associação atua na recuperação de estradas, construção de pontes, instalação de bueiros e manutenção da trafegabilidade, beneficiando diretamente produtores rurais, estudantes, pacientes atendidos pelo sistema de saúde, transportadores e moradores das comunidades da região.
Para Roberto Jonas de Macedo, a declaração feita recentemente pelo governador Otaviano Pivetta, durante visita à Ponta do Aterro, de que a região poderá receber até mil quilômetros de pavimentação nos próximos quatro anos, surpreendeu positivamente a população.
Segundo ele, há poucos anos seria difícil imaginar máquinas trabalhando simultaneamente na abertura de uma rota pavimentada em direção à fronteira boliviana. Hoje, porém, as obras já são uma realidade e representam um novo horizonte para o desenvolvimento do Vale do Guaporé.
A expectativa é que os cerca de 80 quilômetros em obras entre Vila Bela e Palmarito sejam concluídos até o próximo ano, consolidando um dos trechos mais importantes da MT-199, rodovia considerada estratégica por integrar o corredor logístico da futura Rota Bioceânica, que deverá conectar Mato Grosso à Bolívia e, futuramente, aos mercados internacionais por meio dos portos do Oceano Pacífico.
Enquanto o asfalto avança, a manutenção das rodovias estaduais continua sendo essencial para garantir o transporte escolar, o atendimento de saúde, o escoamento da produção agropecuária, o turismo e a integração das comunidades rurais, preparando o Vale do Guaporé para uma nova etapa de crescimento e desenvolvimento econômico.
Este artigo foi publicado originalmente no portal de notícias Navegador MT. Confira a matéria original em: https://www.navegadormt.com.br/noticia.php?codigo=33574
